quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Deus Mar

Ontem pela manhã, quando fui me despedir da praia e do mar do Rio de Janeiro, pensei comigo: Talvez o meu Deus seja o mar.
 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A menina que cheirava flores

Trecho de um projeto de livro infantil escrito por mim e ilustrado por Mayrane Bucar:


Amanda é uma menina sapeca que tem os olhos bem pretinhos, parecem duas jabuticabas. Ela vive conversando com as bonecas e com os ursinhos, com as flores e os passarinhos. 

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Renascida


Ela tinha medo de escrever. Não sabia se suportaria a força das palavras sufocadas. Vivia em um limbo, e sentia que estava recuando de algo que ainda era indecifrável, mas que paralisava e fazia sofrer. Habitava o desassossego de Fernando Pessoa e tentava decifrar filósofos. Na noite de ontem olhou para o céu e lembrou de uma frase de Nietzsche: “È necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.” Ela sorriu e pensou que de tanto caos dentro dela uma nova galáxia poderia ter sido criada... Como chamaria tal galáxia? Talvez o significado do próprio nome fizesse sentido: Renascida. É isso, galáxia Renascida. Feliz com a fundação de um mundo de estrelas só dela, pegou seu caderninho e começou a escrever. Seu maior desejo era renascer em palavras, e, possivelmente, reinventar a própria vida.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Série: Objetos para devolução

Ele era um homem que vivia tropeçando nos excessos melancólicos. Escondia sua falta atrás do casaco preto, antigo e mofado de professor doutor. Escrevia poesias sedutoras para conquistar, e não fazia questão de ser ético em sua conduta: se fosse preciso mentir, mentia. Certa vez, tentou seduzir uma mulher comprando-lhe os vinhos e os queijos mais caros do mercado – um tropeço no excesso alimentício. Esforço em vão. Os vinhos nem foram abertos e os queijos estragaram, pois o mais importante ele não conseguiu oferecer: a verdade. Queijos e vinhos serão devolvidos para lembrá-lo de que a penúria existe em quem não cumpre com o compromisso ético da vida.

Mundo digital

Como anda seu círculo social?, pergunta a analista. Serve rede social?, responde a moça sorrindo.

Poesia Urbana

Atravessava distraída a Avenida Paulista, encantada com a dança de guarda-chuvas coloridos dos pedestres – momento de pura poesia urbana. Em fração de segundos meu olhar é capturado pelo andar conhecido de um homem alto e loiro que atravessava a avenida em direção oposta a minha. Começo a viver segundos em câmera lenta: Minha amiga ao meu lado fala e eu não escuto, não enxergo mais ninguém, a chuva me molha, meu corpo vira e acompanha o andar do homem. Ele continua atravessando a avenida. Será que não me viu? Não aguento e o chamo pelo apelido de tantos anos. Dou um passo e aceno. Ele me vê e parece assustado, surpreso. Vem em minha direção, dando apenas um passo para frente. Diz um oi e acena. Logo em seguida, dois passos pra trás. Hesita, quase cai. Abaixa a cabeça. Não consegue. Eu fico parada no meio da Avenida Paulista. Perco a fala. Não sinto mais a chuva. Sigo em frente.