terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Poesia Urbana

Atravessava distraída a Avenida Paulista, encantada com a dança de guarda-chuvas coloridos dos pedestres – momento de pura poesia urbana. Em fração de segundos meu olhar é capturado pelo andar conhecido de um homem alto e loiro que atravessava a avenida em direção oposta a minha. Começo a viver segundos em câmera lenta: Minha amiga ao meu lado fala e eu não escuto, não enxergo mais ninguém, a chuva me molha, meu corpo vira e acompanha o andar do homem. Ele continua atravessando a avenida. Será que não me viu? Não aguento e o chamo pelo apelido de tantos anos. Dou um passo e aceno. Ele me vê e parece assustado, surpreso. Vem em minha direção, dando apenas um passo para frente. Diz um oi e acena. Logo em seguida, dois passos pra trás. Hesita, quase cai. Abaixa a cabeça. Não consegue. Eu fico parada no meio da Avenida Paulista. Perco a fala. Não sinto mais a chuva. Sigo em frente.

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