terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mar infinito

Acordou com vontade de ver o mar. Pegou seu livro preferido, colocou dentro da mochila e deixou um bilhete em cima da mesa da sala: "Fui". A viagem até a praia sempre foi um dos caminhos mais amados por ele. Sabia exatamente onde ficava cada marca de freio da estrada, e quanto tempo faltava pro litoral. "A serra do mar é minha casa", ele dizia. Os quarenta e cinco minutos correram em silêncio. Fez questão de abrir os vidros do carro para sentir o cheiro da mata e o vento na cara; sensações que o faziam sorrir. Chegando à praia, deixou as coisas no carro e seguiu descalça em direção ao mar. Abaixou-se, sentando-se bem próximo à água, e começou a escrever na areia com o dedo indicador. Parecia um ritual: Ele escrevia, as palavras olhavam pra ele por alguns minutos, as ondas vinham e apagavam tudo. Com a intenção de deixar uma frase escrita por mais tempo, voltou alguns passos na areia e assim escreveu: "O mar é para sempre; finitos somos nós". Levantou-se, limpou uma mão na outra, e, vagarosamente, passo a passo, deixou-se levar pelas águas.

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