sábado, 5 de fevereiro de 2011

Amor?


Nunca fui bom na arte de amar, disse o escritor. Rasgando a décima folha de papel após tentativas em vão de se escrever sobre o amor, esbravejava entre soluços dizendo que a análise tinha acabado com os seus suspiros românticos, e que não se imaginava mais esperando a perfeição da doce amada ou desejando uma paixão que lhe tirasse os pés do chão. Em sua última sessão, deitou-se no divã e disse para a analista: Como posso escrever sobre o amor se eu não sei mais amar como antes? Onde foi parar aquela ilusão da busca por algo impossível, que sustentava minha falta e regia minhas palavras? Silêncio...

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